Secretário de Segurança não aguenta pressão e pede para sair

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Mesmo com as decisões favoráveis do Tribunal de Justiça do Paraná e do Superior Tribunal Federal para se manter a frente da Secretaria de Segurança Pública (Sesp), Cid Marcus Vasques entregou o cargo.
A renuncia foi anunciada através do site da Sesp no final da tarde desta terça-feira (18). Nos últimos meses Vasques travou brigas judiciais com o Ministério Público para se manter frente a pasta, já que o Conselho Superior do órgão pedia o seu retorno ao cargo de procuradores.
A decisão do secretario acontece 20 dias após a decisão do governador Beto Richa de cancelar o rodízio de policiais cedidos ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O rodízio havia sido implantado por Vasques e o coordenador do Gaeco, Leonir Batisti, havia chegado a declarar que a decisão acabaria com o grupo.
Nesta quinta-feira, estão previstas manifestações de policiais civis contra o governo. Desde que foi desautorizado pelo governador Beto Richa de indicar os policiais que prestariam serviço no Gaeco, a situação dele ficou desconfortável e aumentou a tensão dentro do PM e da PC. A tarefa passou para o gabinete de Richa.
Cid Vasques divulgou nota dando conta da saída da secretaria da Segurança Pública, sem aprofundar as razões pelas quais deixava o cargo, além de se referir a “setores do Ministério Público, instituição a que pertenço, na qual devotei e devoto importante parcela de minha existência, entenderam por bem obstaculizar a minha manutenção na direção da segurança pública”.
A diretora geral da secretaria , Thathyana Assad, também pediu exoneração. Walter Gonçalves, chefe de gabinete, assumiu interinamente.(inf de Cicero Cattani foto J.L.)

Leia na íntegra a nota;

'' Ao assumir Secretaria da Segurança Pública há um ano e meio, mais que aceitar um convite do Governador Beto Richa, concordei em cumprir

 

uma missão: reduzir a criminalidade no Estado do Paraná… …Graças ao trabalho desempenhado por todos os servidores (policiais e civis) e com o apoio do Senhor Governador, alcançamos resultados surpreendentes nesse curto espaço de tempo: a redução no índice de homicídios em 18% no Estado, a aquisição de 1.220 viaturas, a incorporação de milhares de policiais para servir a população, além de gigantescas apreensões de drogas e armas.
O trabalho foi realizado. A segurança pública precisa prestigiar os servidores que se dedicam a salvar vidas. A boa polícia é a regra e os casos de corrupção, que são a EXCEÇÃO, devem ser combatidos com toda a energia. Se hoje podemos comemorar as centenas de vidas que foram poupadas com a inacreditável redução dos homicídios em 18%, muito disso se deve ao reconhecimento do trabalho e da importância da polícia civil, militar, científica e dos bombeiros militares, que não pode e não deve ser comandada por nenhuma instituição que não o Estado do Paraná. Setores do Ministério Público, instituição a que pertenço, na qual devotei e devoto importante parcela de minha existência, entenderam por bem obstaculizar a minha manutenção na direção da segurança pública. Por entender que garantias constitucionais básicas estavam sendo agredidas, tive de bater às portas do Poder Judiciário.
Obtive diversas decisões favoráveis, inclusive do Presidente do Supremo Tribunal Federal, Min. Joaquim Barbosa. As inúmeras decisões positivas, colhidas no Tribunal de Justiça do Estado do Paraná e, até mesmo, no STF, representam uma demonstração inquestionável de que algo estava errado na incansável tentativa de me afastar da SESP.
Neste percurso, o meu compromisso com o povo do Paraná e com o Governador Beto Richa, que me confiou uma missão, foi cuidadosamente cumprido. Retorno ao Ministério Público, instituição na qual construí a minha carreira, para perseguir o interesse público num outro local e numa atividade diferente. Entreguei ao Governador e ao Estado do Paraná exatamente aquilo que outrora havia prometido. A minha luta sempre foi por convicções. O preço que se paga, por vezes, é alto.
Mas a falta de coragem seria um preço alto demais. Esse preço, em hipótese alguma, estou disposto a pagar. Luta árdua, consciência limpa. Deus sempre à frente.

Cid Marcus Vasques''

Última atualização ( Qua, 19 de Fevereiro de 2014 09:09 )