Casal que largou tudo para conhecer o mundo dá dicas de como economizar em viagens: ‘Não é só para ricos’

Laísa Camargo e André Viana se conheceram em Dublin e estão viajando juntos há quase três anos. Experiências vividas pelos mochileiros são compartilhadas no YouTube. Casal que largou tudo para conhecer o mundo dá dicas de como economizar em viagens
Laísa Camargo/Arquivo pessoal
Dizem que viagem não é gasto e, sim, investimento. Mas se for com custos baixos melhor ainda, certo? Foi pensando nisso que o casal Laísa Alessandra Silva de Camargo e André Filipe Viana Francisco decidiu deixar o emprego, a faculdade, os amigos e a família para trás e embarcar em um mochilão pelo mundo com passagem só de ida.
Laísa é publicitária, tem 27 anos e morava em Sorocaba (SP). Já André é de Belo Horizonte (MG), tem 23 anos e estudava engenharia aeronáutica antes de deixar o Brasil.
Os dois se conheceram em Dublin, capital da Irlanda, enquanto faziam um intercâmbio para aprender inglês. A princípio, pretendiam ficar apenas oito meses no país, mas acabaram estendendo o prazo para dois anos e, com o fim do curso, deram início à “volta ao mundo”.
Em três anos viajando juntos, Laísa e André já conheceram a Bélgica, Irlanda do Norte, Inglaterra, Polônia, Marrocos, Itália (e Vaticano), Espanha e Portugal. Por enquanto, foram oito meses de viagem no estilo mochilão, com um gasto médio de R$ 750 por mês cada um.
Laísa e André criaram o canal Amar & Viajar há cerca de sete meses
Reprodução/YouTube
Para compartilhar com as pessoas o estilo de viagem e as experiências vividas em cada país, o casal criou, há cerca de sete meses, o vlog Amar & Viajar.
“Queremos ressignificar a crença de que viajar pelo mundo é apenas para ricos, mostrando novas opções para que qualquer pessoa consiga realizar esse sonho. Queremos transformar vidas”, explica Laísa.
O canal no YouTube conta com 18 vídeos sobre viagens baratas, experiências e aprendizados. Até esta semana, o vlog acumulava 1,46 mil inscritos e mais de 145 mil visualizações.
O vídeo mais assistido por enquanto, com mais de 129 mil visualizações, aborda um tema polêmico: o topless. Nas imagens, Laísa compara a maneira como a prática é vista no Brasil e na Europa. “Houve muita repercussão de forma genérica. Muitas pessoas apoiaram e outras criticaram o ponto de vista.”
Entre os países visitados até agora, o que mais impressionou a dupla foi a Itália. “Passamos três meses lá. As paisagens são incríveis, o povo receptivo, a comida maravilhosa e há muita diversidade do que fazer e onde visitar”, conta a jovem.
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‘Perrengues’
Com o objetivo de economizar, o casal aposta no improviso na hora de escolher o transporte entre um país e outro, a hospedagem e a alimentação.
Além de ficarem atentos a passagens aéreas baratas em trajetos maiores, os mochileiros procuram planejar o itinerário sempre levando em consideração o preço da locomoção e as oportunidades de trabalho no local. As caronas nas estradas também não são descartadas.
“Nunca sabemos ao certo onde as caronas vão nos deixar. Sempre há um destino final, mas já aconteceu de não termos onde dormir e acabarmos tendo que pedir para dormir na boleia de um caminhão, por exemplo. É uma grande aventura, mas sempre temos a certeza de que tudo vai dar certo e é o que sempre acontece”, comenta a publicitária.
Laísa e André praticamente não gastam com hospedagens: em oito meses de viagens, eles calculam que pagaram apenas uns 10 dias de acomodação. Isso porque, na maior parte do tempo, se hospedam sem custos em casas de moradores locais.
“Utilizamos a ferramenta Couchsurfing para conexão com essas pessoas. Normalmente, ficamos de dois a quatro dias na casa dos locais desta forma. Mas também trocamos trabalho por hospedagem e alimentação através do Workaway”, explica Laísa.
Casal de Sorocaba investe em viagens pelo mundo
De acordo com ela, normalmente são cinco horas de trabalho por dia, cinco vezes na semana, e os tipos de emprego variam bastante.
“Já trabalhamos cuidando de criança, como garçons, cozinheiros, ensinando inglês, fotografando e produzindo vídeos, trabalhos em fazendas e cuidando de animais, etc. Esse tipo de troca tem em todo o mundo e é muito rico em experiência, pois você tem uma imersão local como nenhuma outra e os benefícios vão muito além da economia.”
Quando é preciso gastar com alimentação, o casal foca em ir a supermercados e cozinhar a própria comida. Quando veem um restaurante à beira mar e querem comer com a mesma vista, por exemplo, eles compram alguns aperitivos e fazem um piquenique no local.
“Gastamos 10% do valor que seria investido em uma refeição em restaurante. Nós gostamos de comer bem, porém preferimos viajar mais. Tudo é uma questão de prioridade”, ressalta a publicitária.
Para economizar com transporte, Laísa e André pegam caronas em estradas
Laísa Camargo/Arquivo pessoal
Apesar dos improvisos, o casal garante que a experiência tem sido rica
Laísa Camargo/Arquivo pessoal
Jornada de autoconhecimento
Apesar dos improvisos e de terem que lidar com alguns imprevistos pelo caminho, Laís e André garantem que a experiência tem sido rica e de muito aprendizado. “Um dia em viagem como a nossa vale por 10 dias ‘normais’. A cada dia conhecemos um novo ponto de vista sobre a vida e vamos abrindo nossa mente.”
Ao longo do trajeto, segundo a mochileira, os “perrengues” passam a ser vistos de outra forma e deixam lições para situações futuras.
“O nosso pensamento frequente é: o que temos para aprender com esse problema? Desta forma, vai tudo ficando mais leve. O significado de ‘gratidão’ também nunca teve tanto valor. Hoje em dia, uma cama e um banho quente nunca foram tão valiosos. Tudo o que chega a nós é recebido com muito mais carinho”, comenta.
Entre os países visitados até agora, o que mais impressionou a dupla foi a Itália
Laísa Camargo/Arquivo pessoal
Nos últimos três meses, Laísa e André voltaram ao Brasil para visitar a família e os amigos. Em seguida, partiram para a Tailândia, onde pretendem morar por tempo indeterminado.
“Nós não fazemos grandes planos, apenas vamos seguindo o fluxo e as oportunidades que vão surgindo no meio do caminho. A ideia é ficar o maior tempo possível nos países asiáticos, morando em retiros espirituais e de ioga a fim de mergulhamos em nós mesmos, nessa jornada do autoconhecimento.”
“Não há como viver todas essas experiências e não começar a se questionar sobre si mesmo. Quando você começa a viajar desta forma, você entende que não existe certo ou errado, é tudo uma questão de perspectiva, de ponto de vista. Desta forma, toda e qualquer pessoa que passa em sua vida pode ser um grande professor”, completa Laísa.
Em oito meses, Laísa e André gastaram R$ 750 por mês cada um
Laísa Camargo/Arquivo pessoal
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