Fotógrafo registra triste fim do maior jornal impresso do Paraná

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O fotógrafo curitibano Daniel Castellano resolveu registrar no ensaio “Os Últimos Impressores de Jornal” os trabalhadores responsáveis pelo último dia de impressão o jornal paranaense Gazeta do Povo, na última quarta (31).
Diante da crise, o periódico que circulava desde 1919 decidiu acabar com sua versão impressa, passando a estar apenas na internet.
Catellano conta ao Blog do Arcanjo do UOL que trabalhou 16 anos no diário e que foi demitido no começo de maio com a
reestruturação que dispensou não só fotógrafos, como diagramadores e todo o parque gráfico.
Ele, que já estava habituado a documentar o trabalho no parque gráfico por prazer após fazer as pautas do dia, resolveu que precisava registrar o último dia de impressão do jornal assim que a notícia de seu fim se confirmou.
Assim, registrou a histórica noite do fim do maior jornal impresso do Paraná. Ele conta como foi no depoimento abaixo:


Na noite do dia 31 de maio, depois de pensar muito, estava na rua e resolvi passar na sede do jornal no centro de Curitiba para saber se poderia documentar a última leva de jornais saindo da rotativa.
Cheguei por volta da meia noite, encontrei o Leonardo Mendes Junior, diretor de redação com quem trabalhei muitos anos, já no barracão do jornal, uma entrada de serviço conhecida dos jornaleiros e do pessoal envolvido nos tempos de jornal impresso, ele com um sorriso largo me recebeu, perguntei se poderia fazer algumas fotos daquele momento histórico.
Respondeu que sim, então eu refiz quase todas as fotos que já tinha feito todas aquelas vezes como se fossem um filme que eu já tinha visto, mas o clima não era apenas de mais um dia de trabalho, era de melancolia, seria a última impressão e isso se mostrava nítido no rosto de cada um dos impressores e de quem estava na redação que é anexa ao parque gráfico.
Exatamente a 1h10 da madrugada uma campainha soou e logo aquele barulho ensurdecedor da antiga rotativa foi cessando,
diminuindo, até parar por completo, os impressores pararam as atividades e desceram da máquina para fazer um último selfie, fotografei.
Fiquei mais algumas horas até conseguir fazer retratos de cada um dos impressores no meio de suas funções, já conhecia alguns de outras vezes e de alguns até tenho amizade, mas não queria atrapalhar a limpeza da máquina, a qual eles teriam que entregar de forma impecável para que fosse comercializada.
Pedi para que ficassem um por um no mesmo lugar e segurando o mesmo jornal, um dos refugos de produção que peguei do chão, não queria um jornal limpo, este tem na banca, tinha que ser um que fosse com as marcas do trabalho dos impressores.
Quando terminei os retratos, anotei os nomes de cada um e fui embora no frio da noite curitibana. Um ciclo se fechou pra mim e para todos aqueles que fizeram parte daquilo, não tínhamos mais um grande jornal diário no Paraná.
Fico triste pelos trabalhadores, mas ao mesmo tempo feliz pois consegui documentar para que as futuras gerações saibam que um dia as pessoas liam as notícias em grandes folhas de papel jornal, e sujavam suas mãos de tinta nele.”
(inf UOL Miguel Arcanjo Prado/foto Daniel Castellano)


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