Turistas de excursão improvisam refeições e estadia no pátio da Basílica de Aparecida

Fieis que vão em excursões ao Santuário de Aparecida acabam improvisando serviços necessários para esticar o passeio – seja por economia ou praticidade. Turistas de excursão improvisam almoço no pátio da Basílica de Aparecida
Reprodução/ TV Vanguarda
Da hora de comer até o momento do descanso, turistas que vão em excursões de ônibus ao Santuário de Aparecida (SP) acabam improvisando os serviços necessários para esticar o passeio – seja como uma forma de economizar ou mesmo pela praticidade por se tratar, geralmente, de grandes grupos.
Só em 2018 o santuário recebeu mais de 12,6 milhões de romeiros. De olho nesses números, eles se tornam público-alvo de serviços igualmente improvisados na cidade, como o banho para o turista de um dia (leia mais abaixo).
Na área de estacionamento, que tem capacidade para abrigar 2 mil ônibus e 3 mil carros, os espaços entre os veículos são ocupados por almoços coletivos com churrasco, financiado coletivamente. Os bagageiros viram um banco para a hora do almoço ou para acompanhar uma apresentação de samba, na qual os passageiros se dividem entre os músicos e a plateia.
Basílica em Aparecida no último fim de semana antes do Dia da Padroeira
Os bagageiros dos coletivos também se transformam em uma formação similar a de um hotel improvisado, onde as camas são substituídas por colchonetes e o calor é combatido com ventiladores portáteis.
“Aqui a gente fica bem à vontade. É como se fosse o quintal da nossa casa mesmo. Todo mundo aqui é família, amigo, se reúne. Cada um faz um pouquinho e fica essa ‘bagunça’ toda”, disse o barbeiro Fábio Melo, de São Paulo.
Irmãs Rosiele e Roseane Barreto são conhecidas como ‘Gêmeas do Banho’ e atendem turistas de um dia que vão ao Santuário de Aparecida
Suellen Fernandes/ G1
‘Gêmeas do Banho’
Conhecidas popularmente como ‘gêmeas do banho’, as irmãs Rosiele e Roseane Barreto atendem há 32 anos os turistas de um dia que querem tomar um banho.
As duas herdaram o comércio do pai, PM aposentado, que trabalhava como barbeiro. Elas contam que um dia deixou que um romeiro tomasse banho depois de um corte. Ele chamou a excursão onde estava e todos pagaram por uma ducha depois de horas de caminhada pelo Santuário. Ali começava o comércio que hoje é o sustento da família.
“A gente recebe aqui pessoas que vieram um dia ainda bebês e hoje já são casadas. São anos de tradição com a gente. Eles contam aos outros na excursão e assim a gente enche a casa”, conta Rosiele.
De dois chuveiros, hoje a casa de banho conta com nove boxes. “A pessoa vem a pé, cavalo ou moto e passa o dia no Santuário. No fim, quer tomar um banho e vem aqui. Alguns estão em hotéis em que você só paga a refeição e não tem acesso ao banheiro ou quarto. Então, atendemos aqui”, diz Roseane