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Bastidores de Maringá: O xadrez político e as articulações que desenham para a sucessão de 2028

As urnas das eleições legislativas acabam de consolidar os novos deputados e redesenhar o mapa de influência política no Paraná. Mas, em Maringá, a contagem dos votos funciona como o verdadeiro primeiro turno informal da corrida pela prefeitura em outubro de 2028. O cenário que se esboça vai muito além de uma simples disputa de nomes: é um embate de dinastias, heranças políticas e novas forças que prometem fragmentar o tradicional eleitorado conservador da cidade-canção.

O tabuleiro político de Maringá já movimenta suas primeiras peças mirando o próximo pleito. Após as reconfigurações das forças estaduais e federais, as principais lideranças locais testam sua influência no noroeste do Paraná, pavimentando caminhos e costurando alianças estratégicas de olho na cadeira principal do Paço Municipal.

A Hegemonia do “Clã Barros” e o Peso da Máquina

Qualquer análise sobre o futuro de Maringá passa, obrigatoriamente, pelo escritório político de Ricardo Barros (PP), reeleito deputado federal. O grupo dos Barros ostenta o controle absoluto da máquina municipal com o atual prefeito Silvio Barros (PP).

Sob a ótica do poder, a estratégia do grupo para daqui a dois anos é clara: usar o recall da expressiva eleição de Silvio para ditar as regras do jogo. A grande questão opinativa é se Silvio Barros tentará a reeleição para estender a hegemonia familiar ou se o grupo testará um novo nome — como a deputada Maria Victoria (PP), reeleita deputada estadual com 73.993 votos ou a ascensão de figuras internas de confiança — mantendo o controle sob uma nova roupagem. O risco desse pragmatismo é o desgaste natural de uma grife política que domina a cidade há décadas, abrindo flancos para o discurso da “renovação”, como o que ocorreu na disputa de 2016.

  • Ulisses Maia (PSD)
Do outro lado do ringue, o ex-prefeito Ulisses Maia (PSD) sai do pleito fortalecido pela matemática, conquistando 56.388 votos totais e carimbando a maior votação nominal da história de Maringá para um deputado estadual dentro do município, com 41.465 votos locais.
O impressionante desempenho nas urnas recoloca Ulisses no centro do debate para 2028. Contudo, analistas de bastidores apontam que o desafio de Ulisses será transformar essa expressiva votação legislativa em viabilidade majoritária contra um grupo que hoje tem as chaves do Paço Municipal. O capital político existe, mas precisará de uma costura de alianças cirúrgicas para retornar à prefeitura, terá como cabo eleitoral novamente o servidor público.
A disputa pela “Grife da Segurança”: Jacovós, Do Carmo, Soldado Adriano José e Sargento Fahur
Se o centro e a centro-direita tradicional se dividem entre Barros e Maia, a ala mais ideológica e ligada à segurança pública projeta um verdadeiro engarrafamento de candidaturas:
  • Delegado Jacovós (PL): Segue com forte apelo popular e reeleito com mais de 76 mil votos, sendo o segundo mais votado dentro de Maringá. Ele conta com o peso do Partido Liberal e a proximidade da vice-prefeita Sandra Jacovós na atual gestão. Com discurso focado na segurança pública, Jacovós desponta como a opção da ala mais à direita do espectro político, dependendo de como as alianças partidárias nacionais e estaduais se acomodarem na região, e tende a ter o apoio do governador eleito, Sérgio Moro (PL)                                                                                                                                                                         
  • Do Carmo (Podemos): Reeleito com mais de 81 mil votos no estado, é um articulador nato que conhece as bases de Maringá como poucos, e conta com afinidades também do eleitorado de Ulisses Maia. Tem um grupo forte e aguerrido que sai as ruas em seu nome.                                                                                           
  • Soldado Adriano José (PSD): Consolidado na Assembleia Legislativa com 54.848 votos, Adriano José surge como um elemento de forte pressão interna. Sua reeleição sem grandes aportes tradicionais atesta sua força orgânica com o eleitorado militar e conservador, tornando-o uma peça indispensável em qualquer arranjo de chapa majoritária (seja como cabeça ou como um forte apoiador).
  •  Sargento Fahur (PL): Se há um nome capaz de implodir qualquer previsão tradicional, este nome é o do folclórico deputado federal Sargento Fahur. Consolidado como um verdadeiro fenômeno de massas, Fahur garantiu seu mandato em Brasília com impressionantes 242.643 votos no estado, sendo o terceiro mais votado do Paraná. Sua maior base eleitoral veio justamente de Maringá, onde abocanhou 30.674 votos.
A inclusão de Fahur como uma opção real para a Prefeitura em 2028 adiciona pimenta ao debate. Com seu estilo autêntico, discursos inflamados e forte apelo popular, ele carrega uma massa fiel de eleitores bolsonaristas e de direita. Sob o ponto de vista analítico, o dilema do PL será decidir se usará Fahur para encabeçar uma chapa purista ou se guardará seu capital político para transferir votos a um aliado. Se decidir concorrer, o “Bigode” bagunça o coreto dos candidatos tradicionais e entra no páreo com chances de ir ao segundo turno apenas sustentado pelo voto de opinião.
A Esquerda se reorganiza: na disputa Mário Verri
A grande novidade que bagunça o tabuleiro tradicional e dá fôlego à oposição progressista é a histórica eleição do vereador Mário Verri (PT) para a Assembleia Legislativa. Após seis mandatos consecutivos na Câmara Municipal, Verri conquistou 45.047 votos no estado, carimbando seu passaporte para Curitiba e consolidando 11.093 votos diretamente dos eleitores maringaenses.
O tabuleiro aberto: Novas lideranças podem surgir?
Embora o cenário pareça polarizado entre os caciques tradicionais e a bancada da segurança pública, o eleitorado maringaense tem um histórico de cobrar eficiência técnica e renovação. Faltando dois anos para o pleito, o espaço está aberto para o surgimento de novas lideranças.
Nomes vindos do empresariado local, movimentos de renovação partidária ou lideranças que se destacarem na Câmara Municipal podem capitalizar o sentimento de fadiga em relação aos mesmos grupos de sempre. A história mostra que, em Maringá, favoritismo precoce não garante eleição, e o vácuo deixado por brigas internas de egos na direita pode ser o cenário perfeito para uma terceira via, quem sabe, surpreender.
  • Silvio Barros e o futuro da gestão

O grande ponto de interrogação que ditará o ritmo da campanha é a posição do atual prefeito, Silvio Barros (PP), eleito de forma contundente em 2024 com 65,57% dos votos válidos (131.819 votos).
Daqui a dois anos, a força de sua gestão e os índices de aprovação popular definirão se o atual chefe do Executivo buscará a reeleição para consolidar seu grupo político ou se atuará como o principal “padrinho” de um sucessor natural. A presença da vice-prefeita Sandra Jacovós (PL) na atual administração também serve como uma ponte direta de diálogo entre o Progressistas e o Partido Liberal, o que pode tanto afunilar uma chapa única quanto fragmentar o bloco governista caso os interesses de 2028 colidam.

O que esperar daqui para frente
Até as convenções partidárias de 2028, o cenário maringaense passará por intensas rodadas de negociação. A oposição tentará explorar os gargalos da administração atual, enquanto o grupo de Silvio Barros buscará blindar a gestão por meio de entregas de obras e serviços estruturais.

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