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Guilherme Arantes revive 40 anos de carreira em novo DVD

Na sexta, 30 de novembro, às 22h, na Casa Natura Musical (SP), o cantor Guilherme Arantes apresenta o show Uma Viajante Alma Paulistana, nome do seu mais recente DVD, em que conta as histórias dos 40 anos de carreira, suas influências nacionais e internacionais e detalhes de como surgiram as músicas que construíram sua icônica discografia. Os maiores sucessos que marcaram muitas gerações serão apresentados em forma de concerto, apenas voz e piano. No repertório, pérolas como Meu Mundo e Nada Mais, Amanhã, Deixa Chover, Planeta Água, Cheia de Charme e Pedacinhos (Bye, Bye, So Long).

O DVD triplo é dividido em sete temporadas, com mais de 90 músicas de seu vasto repertório, em que Guilherme Arantes conta as histórias de sua base musical, com o grupo de rock progressivo Moto Perpétuo, a criação de repertório para os discos, as ideias, influências e detalhes de sua trajetória. Entrevistas e diálogos com personagens curiosos dessas histórias relembram momentos e passagens de quem viveu aqueles períodos.

Documentário Uma Viajante Alma Paulistana, por Guilherme Arantes
Ao completar estes 40 anos de carreira musical, eu tomei uma decisão de contar pessoalmente, da forma mais generosa e mais completa possível, todas as entrelinhas que permearam as composições de músicas e letras, já que o meu ofício primordial sempre foi o de compositor. Cantar, a princípio, foi uma “obrigação”, o canto era, pra mim – desde menino – uma habilidade secundária, já que, por influência do meu pai, sempre valorizei aquelas figuras “por trás” das grandes carreiras musicais, das estrelas do rádio e da televisão: os compositores. Compor, como toda criação de coisas a partir do nada, sempre foi muito lúdico e prazeroso, mas um ofício extremamente doloroso. Meu patíbulo, nestes 40 anos, foi o teclado do piano. Ali passei a maior parte da minha vida, procurando acordes e melodias que fizessem minha vida ter um sentido além de sobreviver. Minha história teria, pois, que ser contada sempre com um piano por perto…

Se eu escrevesse um livro com as histórias, os sons, acordes e temas não estariam ali, ficariam no silêncio da leitura. Se eu produzisse um DVD comemorativo para compartilhar com um público ao vivo (pela enésima vez) as vitórias do sucesso, estaria frustrando esse anseio de contar as histórias.

Achei melhor arregaçar as mangas e produzir um (longamente sonhado) documentário, recheado de caminhos musicais e poéticos que me trouxeram até aqui. Ao invés de privilegiar a linguagem de arena que pontua as produções comemorativas, eu queria muito mergulhar numa linguagem de câmara – com o intimismo de poder falar para o expectador de maneira individualizada, ao invés da forma coletivizada que a cultura de arenas e acostumou a explorar. Eu queria que a pessoa que assistisse o meu documentário de 42 anos, se sentisse me fazendo uma “visita exclusiva”, numa sala de estar, com vários pianos, o órgão, o cravo, com livros e discos, e um roteiro cuidadosamente alinhavado pela minha memória, e, com valiosas pesquisas auxiliares a essa memória, que nada escapasse de cada época. O que líamos? O que ouvíamos? Que filmes, que fatos, e quais segredos preciosos poderiam fazer dessa jornada uma viagem mais interessante do que a mera exaltação da palavra “sucesso”, a essas alturas já tão proferida e (quase) sem mais nenhum significado.

Seguindo a minha intuição, estabeleci alguns critérios importantes, especialmente no que diz respeito à vida particular. Não é, pois, uma história recheada de intimidades pessoais, que viessem apimentar a narrativa, e interessar a um olhar “voyeur”. Não se trata de uma vida espetaculosa para o deleite imediatista do tablóide. Trata-se do making of detalhado de uma vida operosa, de um operário, e onde a fama, no fundo, teve um papel secundário.

A maneira de fazer esse documentário também é uma proposta à parte: desde o início um coletivo de diretores de vídeo e áudio, tendo em mim, muito mais um mestre-de-cerimônias. Aquele que recebe em sua casa, que é sua vida. Destoa, pois, do modus-operandi das produtoras e emissoras, já que a condução da narrativa não obedece a um terceiro olhar… Conta as histórias quem as viveu, juntamente com quem as compreendeu…

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redação

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