Policial

MP denuncia casa de repouso por tortura seguida de morte

A casa de repouso localiza-se na Zona 5, em Maringá

A 14ª Promotoria de Justiça de Maringá apresentou hoje denúncia pelo crime de tortura seguida de morte contra duas responsáveis por uma instituição de longa permanência de idosos da cidade. O MPPR cita nos autos duas vítimas, que teriam morrido em decorrência de abusos praticados na ILPI – um homem de 91 anos, morto após uma queda em que fraturou o fêmur, e outro, de 77 anos, vítima de um quadro infecioso grave, possivelmente relacionado a lesões na pele. O MP não informou nomes, mas trata-se da Casa de Repouso Renascer, localizada na Zona 5. O homem de 77 anos seria o advogado Alaor Gregório de Oliveira, falecido no dia 13.

Na denúncia, são descritas diversas situações de violência física, verbal e psicológica que teriam sido impingidas pelas mulheres aos dois idosos. No caso do primeiro, de 91 anos, o MPPR sustenta que “na data de 5 de julho de 2021, o idoso […] havia sido dopado com medicamentos pelas denunciadas, sofrendo uma queda que resultou na fratura de seu fêmur e, posteriormente, sua morte. No hospital foi constatado que sua higiene pessoal era muito precária, sendo apurado de quadro de infecção urinária e sangue na urina.”

No outro fato, relacionado ao homem de 77 anos, é relatado por testemunhas que, por ter sido advogado, as denunciadas diziam que ele estaria agora “pagando os pecados” por ter “ajudado muitos bandidos a saírem da cadeia”. Ainda conforme os autos, ele ingressou na instituição sem escaras pelo corpo, “o que demonstra que as referidas lesões derivaram de sua submissão, mediante violência, a intenso sofrimento físico e mental pelas denunciadas como forma de aplicação de castigo por ter sido advogado e por supostos males que cometeu em vida, causando-lhe sua morte por sepse, úlcera de pele e pneumonia secretiva”. Dentre as violências destacadas na denúncia, foi apontado o uso de água sanitária nas feridas de pele e mesmo socos e empurrões quando do banho da vítima.

NOVOS CASOS – A denúncia é resultado de investigação conduzida pelo MPPR e que levou à interdição da casa, no início do mês, bem como à prisão de uma das denunciadas (que segue detida preventivamente). A Promotoria destaca que as práticas imputadas na denúncia contra as duas mulheres são equiparáveis a crime hediondo. O Ministério Público solicitou também a abertura de novo inquérito em relação a outros possíveis crimes cometidos em face de outras pessoas então acolhidas na ILPI. Na interdição, 12 idosos eram mantidos ali. Todos foram encaminhados aos cuidados dos familiares. (inf Angelo Rigon)

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