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TCE aceita representação contra vereadora de Mandaguaçu por uso de assessor jurídico em causa pessoal; caso repete padrão que cassou vereadora em Maringá

O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) aceitou uma representação contra a vereadora de Mandaguaçu, Karina de Fátima Grossi (PSDB), apontando indícios de que a parlamentar teria usado a estrutura da Câmara Municipal para resolver um problema de interesse exclusivamente pessoal.

Segundo o processo publicado no Diário Eletrônico do TCE-PR (págs. 43-44), o assessor jurídico legislativo do gabinete da vereadora, Allan Carlos Ferracin Bofete, ocupante de cargo comissionado remunerado com dinheiro público, teria atuado como advogado particular da vereadora.
De acordo com a representação, ele teria elaborado petição em nome da vereadora, protocolado processo dela e acompanhado o andamento de uma causa que, segundo o relatório, seria de “seu exclusivo interesse pessoal”.

O cargo de assessor jurídico legislativo foi criado para atender ao Legislativo como um todo não para representar interesses privados de uma parlamentar específica. Enquanto o assessor cuidava da causa pessoal da vereadora, a assessoria jurídica de fato disponível aos demais vereadores e ao trabalho legislativo como um todo teria ficado prejudicada.

O relator do TCE entendeu possível indício de conduta que fere os princípios da moralidade e da impessoalidade, pilares que separam o interesse público da conveniência pessoal de quem ocupa um cargo eletivo. Karina Grossi e o assessor Allan Bofete agora têm 15 dias para apresentar suas explicações ao Tribunal.

A situação reproduz, em traços gerais, o episódio que resultou na cassação da ex-vereadora de Maringá Cris Lauer (Novo), a parlamentar mais votada da história da câmara municipal, com 7.531 votos na eleição de 2024.
Lauer foi acusada de ter usado, o então chefe de gabinete, também advogado para atuar em processos particulares dela, enquanto ele seguia recebendo salário pago pela Câmara de Maringá. Em maio de 2025, a Justiça a condenou por improbidade administrativa, determinando o ressarcimento de R$ 19.638,02 aos cofres públicos, além de multa no mesmo valor. A sentença chegou a citar um áudio no qual a própria parlamentar teria confirmado a prática.

Com base nessa condenação, uma Comissão Processante foi aberta na Câmara de Maringá. Em agosto de 2025, por 20 votos a 2, os vereadores aprovaram a cassação do mandato de Cris Lauer, tornando-a a primeira parlamentar da história do legislativo maringaense a perder o cargo dessa forma. Ela também ficou inelegível por 11 anos. Lauer nega irregularidade e classifica o processo como perseguição política.

Os dois casos guardam uma estrutura semelhante: um assessor jurídico comissionado, remunerado com dinheiro público e criado para atender ao mandato como um todo, teria sido direcionado para resolver questões estritamente privadas da vereadora responsável pelo gabinete em detrimento da função institucional para a qual o cargo foi criado.
Em Maringá, o caso levou meses de tramitação entre Justiça, Ministério Público e Câmara até resultar na perda do mandato. Em Mandaguaçu, o processo administrativo no TCE-PR está apenas no início: Karina Grossi e seu assessor ainda vão apresentar defesa.

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