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Parecer jurídico aponta falta de dinheiro para viagem do vereador Pastor Sandro aos EUA

Procuradora também denuncia pressão na Câmara de Maringá

Um parecer emitido pela Procuradoria Jurídica da Câmara Municipal de Maringá expôs um impasse administrativo e financeiro envolvendo a emissão de passagens e a participação do vereador Pastor Sandro (União Brasil) em evento internacional. Assinado pela advogada pública Ana Maria Brenner Silva e endereçado à Diretoria de Controle Interno e Compliance, o documento relata que o Legislativo esgotou o saldo contratual disponível após emitir bilhetes aéreos de alto custo entre Curitiba e Maringá, inviabilizando a compra de uma passagem para os Estados Unidos destinada ao vereador.

No relatório, a procuradora relata sofrer pressões externas para viabilizar a compra e adverte que o setor jurídico não apresentará alternativas irregulares. “Reiterando-se que não há ‘jeitinho’ para se fazer a compra e não é função da Procuradoria apresentar soluções mágicas e/ou ilegais, nem mesmo diante de pressões externas, indesejáveis”, afirmou.

O requerimento para a questionada viagem de Sandro Marcos Campos Martins foi redigido dia 16 e aprovado na sessão desta quinta-feira, com os votos contrários dois vereadores do Partido Novo, Daniel Malvezzi e Professor Pacífico. Ele irá (ou iria) para Orlando (Flórida), nos Estdos Unidos, saindo dia 24 às 5h15 e retornando dia 29 às 13h25, para representar oficialmente a Câmara Municipal de Maringá na cerimônia internacional de entrega dos prêmios da International Association of Chiefs of Police – IACP 2026. Ao que se apurou não houve um convite por parte da ONG norte-americana nem pelo prefeito Silvio Barros II (PP).

Gastos com voos internos consumiram o contrato – O processo teve início após um convite da Secretaria de Segurança Municipal, em 22 de julho, respondido pela presidência da casa no dia 30, com a indicação do Pastor Sandro para comparecer a uma premiação internacional nos EUA. Segundo a parecerista, naquela data o contrato com a agência de viagens ainda possuía recursos suficientes para a aquisição do bilhete internacional.

A indisponibilidade orçamentária ocorreu após a emissão de bilhetes aéreos, em 12 de agosto deste ano, para o transporte de seis passageiros no trecho Curitiba–Maringá (ida e volta), utilizados entre os dias 19 e 22 do mesmo mês. A fatura apresentada pela empresa DF Turismo totalizou R$ 35.065,00 — uma média de cerca de R$ 6 mil por passageiro.

A advogada ressaltou a falta de planejamento e desrespeito ao princípio da economicidade previsto na Nova Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021). De acordo com a manifestação, se o deslocamento entre a capital e Maringá tivesse sido feito por via terrestre em ônibus leito-cama, o gasto total ficaria próximo a R$ 6 mil (menos de R$ 1 mil por bilhete), o que preservaria margem orçamentária para a viagem internacional.

Pedido de apuração de responsabilidades – Diante do esgotamento da margem contratual, o parecer isenta a Procuradoria Jurídica e a Divisão de Licitações de responsabilidade pela má gestão do contrato e pede a intervenção do setor de compliance. A procuradora cobrou a apuração da conduta dos servidores responsáveis pelas decisões de compra que geraram o descompasso financeiro.

O caso foi encaminhado para a Diretoria de Controle Interno e Compliance para a adoção de providências cabíveis e verificação de eventuais infrações administrativas.

A viagem, apostam observadores, deve acontecer apesar da falta de recursos. Neste caso, o vereador pagria a passagem e posteriormente, contratada nova empresa, teria as despesas ressarcidas. (inf Angelo Rigon)

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