Política

Representação contra vereadora Bianchini

Entre os fatos a serem investigados está o uso de dependências da Câmara de Maringá para gravar conteúdos de divulgação pessoal ou com possível caráter eleitoral

A Câmara Municipal de Maringá recebeu uma representação pedindo a abertura de processo disciplinar contra a vereadora Giselli Patrícia Caetano de Lima Bianchini (PL), por suposta infração ética e quebra de decoro parlamentar.

O pedido foi protocolizado pelo jornalista Gilmar Ferreira, do site O Diário de Maringá. O documento é dirigido à mesa executiva da casa e pede apuração de fatos ligados à atuação da parlamentar, sem antecipar juízo de culpabilidade.

A representação aponta quatro linhas principais de investigação. A primeira é o uso de dependências e da identificação visual da Câmara para gravar conteúdos de divulgação pessoal ou com possível caráter eleitoral. São citados reels publicados no Instagram da vereadora, feitos no gabinete, com prestação de contas de projetos e, em um dos casos, participação de uma profissional apresentada como psicóloga, em material sobre escolas cívico-militares. O texto pede que se apure quem gravou e editou, se houve uso de equipamentos, servidores ou assessores da Casa e se a produção ocorreu em horário de expediente.

A segunda linha trata da presença, no gabinete, de um objeto com aparência de arma ou de equipamento ligado a instrumento de repressão, registrado em vídeos divulgados pela própria vereadora. O pedido não afirma que se trata de arma de fogo: pede que a Câmara identifique a natureza, a origem, a propriedade e a finalidade do objeto, à luz da regra regimental que proíbe o porte de arma na sede, com ressalvas.

A terceira diz respeito ao exercício da atividade jornalística nas dependências da Casa e às publicações da vereadora sobre a presença do jornalista no local. A quarta envolve o uso das redes sociais da parlamentar para divulgar ou amplificar conteúdos relacionados ao jornalista e a cidadãos envolvidos nos episódios, inclusive material originado no círculo familiar dela. O texto distingue o que a vereadora publicou do que foi produzido por terceiros e pede o confronto das afirmações com registros de segurança, câmeras e documentos internos.

A representação também pede que a Câmara verifique narrativas em que a vereadora se apresenta como perseguida ou impedida de atuar dentro da própria instituição. A tese do documento é que, se os fatos ocorreram, a Casa deve apurá-los; se não correspondem aos registros, a distorção também deve ser examinada.

O autor lembra que, pelo Código de Ética, representação popular contra vereador exige assinatura de pelo menos 5% dos eleitores de Maringá, com título de eleitor e certidão da Justiça Eleitoral. O texto admite que a minuta precisa desse apoio, salvo se for subscrita por vereador em exercício ou por partido com representação na Câmara.Notícias de Maringá

Entre os pedidos estão a preservação imediata dos vídeos e publicações indicados, a oitiva de testemunhas e servidores, a requisição de imagens de segurança e registros de acesso e, se houver indícios, o encaminhamento de cópias à Justiça Eleitoral, ao Ministério Público e às autoridades policiais. A penalidade, se houver, ficaria a cargo do procedimento interno, com contraditório e ampla defesa.

Conhecida por apresentar propostas alheias ao trabalho legislativo (como pedir ao presidente Lula, a quem tanto critica, a colocação de para-raios em Brasília (DF), Giselli Bianchini defendeu o golpe de estado e é autora do projeto que instituiu o Dia do Patriota Conservador em Maringá. Ela está invariavelmente no meio de outra polêmicas, ao divulgar que tinha recebido dezenas de denúncias de maus-tratos em centros municipais de educação infantil, ao homenagear igreja que tem pastores foragidos por financiar o golpe e a agressão ao jornalista que protocolizou hoje o documento, que tem 25 páginas.Resultados das eleições

A vereadora, que costuma dizer que sofre perseguição, não compareceu à sessão ordinária da Câmara de Maringá de terça-feira e hoje, até as 11h43, também não havia comparecido à sessão desta quinta-feira. (inf Angelo Rigon)

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