
As urnas das eleições legislativas acabam de consolidar os novos deputados e redesenhar o mapa de influência política no Paraná. Mas, em Maringá, a contagem dos votos funciona como o verdadeiro primeiro turno informal da corrida pela prefeitura em outubro de 2028. O cenário que se esboça vai muito além de uma simples disputa de nomes: é um embate de dinastias, heranças políticas e novas forças que prometem fragmentar o tradicional eleitorado conservador da cidade-canção.
O tabuleiro político de Maringá já movimenta suas primeiras peças mirando o próximo pleito. Após as reconfigurações das forças estaduais e federais, as principais lideranças locais testam sua influência no noroeste do Paraná, pavimentando caminhos e costurando alianças estratégicas de olho na cadeira principal do Paço Municipal.
Qualquer análise sobre o futuro de Maringá passa, obrigatoriamente, pelo escritório político de Ricardo Barros (PP), reeleito deputado federal. O grupo dos Barros ostenta o controle absoluto da máquina municipal com o atual prefeito Silvio Barros (PP).
Sob a ótica do poder, a estratégia do grupo para daqui a dois anos é clara: usar o recall da expressiva eleição de Silvio para ditar as regras do jogo. A grande questão opinativa é se Silvio Barros tentará a reeleição para estender a hegemonia familiar ou se o grupo testará um novo nome — como a deputada Maria Victoria (PP), reeleita deputada estadual com 73.993 votos ou a ascensão de figuras internas de confiança — mantendo o controle sob uma nova roupagem. O risco desse pragmatismo é o desgaste natural de uma grife política que domina a cidade há décadas, abrindo flancos para o discurso da “renovação”, como o que ocorreu na disputa de 2016.
- Ulisses Maia (PSD)
- Delegado Jacovós (PL): Segue com forte apelo popular e reeleito com mais de 76 mil votos, sendo o segundo mais votado dentro de Maringá. Ele conta com o peso do Partido Liberal e a proximidade da vice-prefeita Sandra Jacovós na atual gestão. Com discurso focado na segurança pública, Jacovós desponta como a opção da ala mais à direita do espectro político, dependendo de como as alianças partidárias nacionais e estaduais se acomodarem na região, e tende a ter o apoio do governador eleito, Sérgio Moro (PL)
- Do Carmo (Podemos): Reeleito com mais de 81 mil votos no estado, é um articulador nato que conhece as bases de Maringá como poucos, e conta com afinidades também do eleitorado de Ulisses Maia. Tem um grupo forte e aguerrido que sai as ruas em seu nome.
- Soldado Adriano José (PSD): Consolidado na Assembleia Legislativa com 54.848 votos, Adriano José surge como um elemento de forte pressão interna. Sua reeleição sem grandes aportes tradicionais atesta sua força orgânica com o eleitorado militar e conservador, tornando-o uma peça indispensável em qualquer arranjo de chapa majoritária (seja como cabeça ou como um forte apoiador).
- Sargento Fahur (PL): Se há um nome capaz de implodir qualquer previsão tradicional, este nome é o do folclórico deputado federal Sargento Fahur. Consolidado como um verdadeiro fenômeno de massas, Fahur garantiu seu mandato em Brasília com impressionantes 242.643 votos no estado, sendo o terceiro mais votado do Paraná. Sua maior base eleitoral veio justamente de Maringá, onde abocanhou 30.674 votos.
- Silvio Barros e o futuro da gestão
O grande ponto de interrogação que ditará o ritmo da campanha é a posição do atual prefeito, Silvio Barros (PP), eleito de forma contundente em 2024 com 65,57% dos votos válidos (131.819 votos).
Daqui a dois anos, a força de sua gestão e os índices de aprovação popular definirão se o atual chefe do Executivo buscará a reeleição para consolidar seu grupo político ou se atuará como o principal “padrinho” de um sucessor natural. A presença da vice-prefeita Sandra Jacovós (PL) na atual administração também serve como uma ponte direta de diálogo entre o Progressistas e o Partido Liberal, o que pode tanto afunilar uma chapa única quanto fragmentar o bloco governista caso os interesses de 2028 colidam.
O que esperar daqui para frente
Até as convenções partidárias de 2028, o cenário maringaense passará por intensas rodadas de negociação. A oposição tentará explorar os gargalos da administração atual, enquanto o grupo de Silvio Barros buscará blindar a gestão por meio de entregas de obras e serviços estruturais.



