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Delegado da Mulher é convidado a se retirar de reunião ordinária do Conselho Municipal da Mulher de Maringá

Via Angelo Rigon

O delegado Rodolfo Vieira Nanes, titular da Delegacia da Mulher, foi “convidado a se retirar” da mais recente reunião do Conselho Municipal da Mulher de Maringá. Por comandar a DM, ele tem cadeira no CMMM, junto com outros representantes de organismos do poder público e da sociedade civil. Criado em 1996 para atuar no controle social de políticas públicas de igualdade, o Conselho é um órgão colegiado de caráter consultivo, deliberativo e fiscalizador da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres.

Nanes recebeu convite para participar da reunião virtual, e ao entrar apresentou-se aos demais participantes. Foi quando a primeira secretária do conselho, Margot Jung, representante da AMLGBT, pediu que ele se retirasse por uma questão de ordem. O delegado, sem ser comunicado do motivo, retirou-se da videoconferência. O encontro virtual não está disponibilizado na página do CMMM no Facebook, assim como a ata. Teria sido a 117ª reunião ordinária do órgão.

Este é mais um desdobramento do veto que o Fórum Maringaense de Mulheres fez ao nome do delegado, já que a ONG defendia a nomeação de uma mulher. O ato de descortesia com o delegado aconteceu dois dias depois de se ser divulgado o parecer da Coordenadoria das Delegacias da Mulher (Codem), sobre a nota emitida pelo FMM. A manifestação foi encaminhada ao delegado-chefe da Divisão de Policia Especializada, Alexandre Macorin de Lima. Nele, em documento de várias páginas e muitas ponderações, a Codem opina que a titularidade de uma Delegacia da Mulher deve ser exercida “por profissional habilitado, motivado e que inclua a perspectiva de gênero no desenvolvimento de suas atividades, independentemente de seu gênero”.

Até então um documento encabeçado pela ONG e com a assinatura de órgãos municipais e entidades defendia a nomeação de uma mulher e algumas de suas integrantes chegaram a noticiar para o cargo a delegada Karen Friedrich Nascimento, que comanda há três anos o Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente. O CMMM é presidido por Eva Coelho (Instituto de Mulheres Negras Enedina Alves Marques), tendo como vice-presidente Crishna Correa (UEM) e 2ª secretária Jessica Magno (ONG Maria do Ingá).

No dia 16 o Conselho Municipal da Mulher de Maringá encaminhou ofício ao governador Carlos Massa Ratinho Junior e ao secretário de Segurança Pública do Paraná, um dia após o parecer da Codem ser redigido. “Precisamos de mulheres à frente da Delegacia da Mulher, pois para além das questões estratégicas de estruturação do serviço, não podemos mais aceitar que todas as nossas políticas sejam decididas por homens, o que traz para nós, um problema de representação política muito grande”, diz trecho da correspondência, que é assinada por entidades como a Central Única dos Trabalhadores, Secretaria de Desenvolvimento Econômico, OAB, Acim, Núcleo Regional de Educação, Secretaria de Trânsito e Segurança e Federação das Associações de Bairros de Maringá, além de a própria Delegacia da Mulher aparecer como subscritora. Cinco dias antes a subseção local da Ordem dos Advogados do Brasil emitiu nota manifestando apoio à permanência de Karen Friedrich à frente do Nucria, junto com o Núcleo de Estudos e Defesa dos Direitos da Infância e da Juventude/UEM e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Maringá (Apae); a entidade assinou a nota em conjunto com as comissões de Direito das Crianças e Adolescentes, de Direitos Humanos, do Enfrentamento à Violência de Gênero, das Famílias e Sucessões, das Mulheres Advogadas, dos Criminalistas e do Tribunal do Júri.

O MN tentou contato com a presidente do CMMM e com a primeira secretária, solicitando informações sobre o fato, mas não houve resposta. (foto O Fato Maringá)

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